Novo estudo sobre pesticidas e obesidade

Pesticidas e obesidade ?

Isso mesmo ! É o que especulam cientistas do Instituto Nacional de Ciências Naturais e da Universidade de Estudos Avançados em Okazaki, no Japão, em recente estudo publicado na Bioscience, revista científica oficial do American Institute of Biological Sciences . Os pesquisadores sugerem, de forma provocante e plausível, que o aumento da obesidade nos humanos nos últimos 40 anos ocorre em paralelo com o aumento na utilização de substâncias químicas industriais no mesmo período.
Os autores avaliaram a ação da tributiltina sobre células sensitivas. A tributiltina é um poluente persistente utilizado em tintas, madeiras, têxteis e até como pesticida, além de outras aplicações, e que bioacumula em peixes e moluscos. É altamente tóxica para lesmas, causando desenvolvimento de características sexuais masculinas em fêmeas. Seus efeitos tóxicos sobre o fígado, sistema imunológico e sistema nervoso de mamíferos, são bem conhecidos, porém seus potentes efeitos sobre estruturas celulares conhecidas como receptores retinóides X (RXRs), são uma descoberta recente. Quando ativados, esses receptores migram para o núcleo das células onde atuam sobre genes que estimulam o crescimento de adipócitos (células de gordura) e regulam o metabolismo. Os autores descrevem como os RXRs e outros receptores são fortemente ativados pela tributiltina e produtos químicos semelhantes. A tributiltina também causa acúmulo de tecido gorduroso em camundongos expostos à sua ação durante a gestação.
Esses chamados “disruptores endocrinológicos”, ou seja, substâncias químicas sintéticas com potencial para mimetizar alguns de nossos hormônios, têm sido objeto de estudos recentemente e devemos estar alertas quanto às suas consequências para a vida animal.

Para profissionais de saúde:

Link p/ o artigo original.
www.aibs.org/bioscience-pressreleases/resources/Iguchi.pdf

2. Link p/ documento da Comissão Européia sobre “Endocrine Disruptors”.
http://ec.europa.eu/environment/endocrine/documents/sec_2007_1635_en.pdf

 

Um novo estudo, conduzido na respeitada Michigan State University (MSU) nos E.U.A, que acaba de ser publicado no periódico Occupational and Environmental Medicine, sugere que um pesticida de uso comum nos anos 70 possa ter uma parcela de responsabilidade na atual epidemia de obesidade em mulheres. Os autores recrutaram e avaliaram a quantidade de DDE em mães que comiam peixe contaminado do Lago Michigan no início do anos 70. O DDE (diclorodifenil-dicloroetileno) é o principal subproduto do DDT. O peso e o Índice de Massa Corporal (IMC) de suas filhas foram então avaliados na idade adulta e comparados com o grau de contaminação das mães. As mulheres nascidas de mães que apresentaram nível médio de contaminação ganharam em média 5 quilos na idade adulta em relação as com baixo nível de DDE. Com os níveis mais elevados de contaminação, o ganho de peso médio atingiu 9 quilos.
Embora o DDT tenha sido banido em 1973, após décadas de uso, seus subprodutos ainda são encontrados na vida marinha e em peixes gordos. Atualmente, o DDE é detectável em praticamente todos os adultos e na maioria dos recém-nascidos de vários países.
Segundo a Dra. Janet Osuch, professora de Cirurgia e Epidemiologia da Faculdade de Medicina Humana da MSU, a exposição pré-natal a toxinas está sendo cada vez mais investigada como uma causa em potencial do aumento da epidemia de obesidade observada mundialmente.
Estudos como esse nos levam a refletir sobre o papel dos disruptores endocrinológicos no mundo moderno e também servem como mais uma ferramenta de educação da importância do cultivo orgânico. É muito importante também não esquecer que um estilo de vida saudável, incluindo alimentação e atividade física bem orientadas , ainda é o carro-chefe na prevenção e até mesmo no tratamento de certas doenças e condições, incluindo a obesidade.

1 Maternal levels of dichlorodiphenyl-dichloroethylene (DDE) may increase weight and body mass index in adult female offspring
W Karmaus, J R Osuch, I Eneli, L M Mudd, J Zhang, D Mikucki, P Haan, S Davis, Occupational and Environmental Medicine 2009;66:143-149

2. Transgenerational inheritance of environmental obesogens
Miquel Porta, Duk-Hee Lee, Elisa Puigdomènech, Occupational and Environmental Medicine 2009;66:141-142

3. Jason Cody , University Relations – Michigan State University